
E nada foi como antes.
Os beijos quentes ficaram mornos.
O toque vibrante, agora se quer estremece.
As palavras que confortavam e iludiam, foram desmascaradas e não passam de mentiras.
O amor que parecia eterno foi descartado, como um copinho de café que vai parar facilmente no lixo, sem remorsos.
E todos os sonhos acordaram, com um balde de água fria na cara.
Os planos ficaram pra depois, perdidos em algum lugar além do nunca mais.
As roupas foram escondidas, na gaveta mais escura do quarto, naquela que ninguém mexe, que nem o sol ousa tentar invadir.
As cartas de amor foram rasgadas, como papel de rascunho e as fotos foram queimadas no churrasco de domingo.
Nada restou daquilo tudo que poderíamos ter sido, de tudo que desejei inúmeras vezes que fossemos.
Só restou a lembrança, que logo o tempo se encarrega de arquivar.
Lembrança de um amor que quase deu certo, mas se afogou como um nadador, que quase nada até o outro lado do rio.

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