terça-feira, 8 de junho de 2010

Nosso amor

O nosso amor é um trem que chegou ao fim da linha e insiste em andar fora dos trilhos. Não vai pra frente, nem pra trás, fica parado no mesmo lugar, persistindo no erro de tentar seguir em frente.

O nosso amor é como uma música ruim que eu não consigo parar de ouvir. Com um refrão cafona e versos repetitivos, mas que já decorei a letra de tanto ouvir e por mais que eu tente não sai da minha cabeça.

O nosso amor é um eletrodoméstico estragado, que já mandei pro conserto diversas vezes, quando volta funciona bem por um tempo, mas depois estraga de novo, sempre aquele mesmo defeito que parecia ter sido consertado.

O nosso amor é como um tênis velho, apesar de furado serve direitinho, e mesmo comprando um novo sempre volto no armário pra calçar aquele par de tênis usado e rasgado, mas confortável como nenhum outro.

O nosso amor é como a minha calça jeans preferida, não serve mais depois de tantos anos e já saiu de moda, mas eu não consigo me livrar dela, guardo no fundo do armário na esperança de um dia vestir novamente.

O nosso amor é como um telefone estragado, não chama e não liga, só fica mudo. Mas continua ali pendurado na parede da cozinha como se a qualquer momento pudesse voltar a tocar.

O nosso amor é como assistir televisão no domingo, não passa nada de bom na programação, mesmo mudando os canais não encontro nada legal e ainda assim prefiro assistir qualquer coisa ao invés de desligar a TV.

O nosso amor é como um nó cego que não consigo desatar, mas não tenho coragem de pegar a tesoura e cortar.

O nosso amor é como brigadeiro na dieta, sei que não posso comer, sei que vou me arrepender depois, mas quando sinto o cheiro, quero uma panela inteira.

O nosso amor é como uma grande confusão, que nem eu consigo entender, algo infinito que já devia ter acabado, amor impossível que foi realizado, é uma historia que começou pelo fim e no final só resta transformar tudo em um novo começo.


Um comentário:

  1. Pode ser que seja hora de jogar a toalha, ou apenas de modificar o olhar viciado. Dentro, ou fora, o importante é recomeçar.

    Beijoca, flor!

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